A chuva fina acompanhava meu caminho de volta da escola naquela manhã, e o para-brisa insistia em bater fora do compasso do meu comando, como se também lutasse contra algo invisível que atravessava o céu e o meu peito.
Uma lágrima silenciosa escorreu pelo meu rosto com a mesma delicadeza persistente da garoa, e ao tocar meus óculos deixou meu olhar turvo, confundindo o vidro do carro com a neblina que se formava dentro de mim. Entre o volante firme nas mãos e o coração inquieto no peito, eu dirigia pela estrada molhada sentindo que o mundo lá fora refletia exatamente o que se passava no meu interior.
O silêncio do carro era preenchido por uma melodia distante e por pensamentos que tentavam invadir minha paz, como sombras que surgem quando o dia ainda está cinza e a mente se cansa da própria resistência. Eu respirava fundo enquanto a chuva desenhava caminhos sobre o vidro, e percebia que a tristeza era apenas uma visita breve, ainda que insistente, batendo à porta da consciência.
Mesmo com os olhos embaçados e o coração apertado, havia dentro de mim uma certeza guardada desde o amanhecer, quando consagrei aquele dia nas mãos do Senhor. Eu sabia que aquele momento não era destino, mas passagem, não era permanência, mas processo, e que a fé colocada na presença de Deus sustentava cada curva daquela estrada úmida.
Ao me aproximar de casa, senti que o peso começava a se dissipar como a névoa que cede lugar à claridade, e compreendi que o devaneio não tinha autoridade sobre aquilo que já havia sido entregue ao alto. E quando estacionei, percebi que a tempestade havia ficado do lado de fora, porque dentro de mim permanecia a paz de quem sabe que tudo é apenas um momento diante da eternidade do Senhor.